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Restaurantes Populares Autores: Sônia Oliveira Contato: dicas@polis.org.br


O crescimento das cidades, com uma lógica urbana que afasta as moradias para regiões cada vez mais periféricas, aumenta as distâncias entre domicílio e o lugar de trabalho, não permitindo, dentre outras coisas, fazer as refeições em casa.

Isto significa carregar para o trabalho os alimentos já preparados, na maioria das vezes pelas mulheres da família, ou alimentar-se em bares e restaurantes. A alimentação fora de domicílio vem crescendo nos últimos anos, chegando a representar, em média, 25% dos gastos totais das famílias.

Este percentual varia bastante segundo o estrato de renda: 12,4% nas famílias com renda mensal de até dois salários-mínimos, e chegando a 36,2% naquelas acima de 30 salários-mínimos.

Na maioria das vezes, além de onerar o orçamento doméstico, esta situação leva a hábitos alimentares pouco saudáveis e à dupla jornada para as mulheres que preparam as refeições.


Essas transformações desafiam os governos locais a desenvolverem ações a partir de novos modelos para a alimentação, garantindo, por um lado, a segurança alimentar da população e, por outro, favorecendo a criação de empregos e o escoamento da produção local.

A criação de restaurantes populares em zonas centrais das cidades é uma alternativa que está ao alcance da prefeitura e pode estar associada a outras ações comumente encetadas pelo poder público como abastecimento, merenda escolar, distribuição de alimentos à população carente e o atendimento aos serviços públicos regulares como hospitais e presídios. Com essa iniciativa, o município vai além de um papel meramente fiscalizador e normatizador dos processos de alimentação.


Os restaurantes populares, quando assumidos pela prefeitura, por cooperativas ou por associações de usuários, permitem a oferta diária de refeições a preço acessível, garantindo refeições de qualidade ao conjunto da população.


SEGURANÇA ALIMENTAR

Para se ter qualidade na alimentação é preciso haver variedade e não simplesmente o aumento da quantidade de alimentos ingeridos. A implantação de um restaurante popular permite oferecer à população refeições com elevado valor nutricional e difundir novas formas de consumo de alimentos tradicionalmente apreciados em cada região.

Pode-se implantar novas formas de aproveitamento dos alimentos, referindo-se, principalmente, ao uso das partes não convencionalmente utilizadas de hortaliças, frutas e verduras não tanto por seu baixo custo e redução do desperdício, mas por suas características nutritivas, ausentes em outras partes dos alimentos comumente ingeridos. Ao trabalhar estes aspectos, o restaurante popular pode ser utilizado como instrumento de educação alimentar dos seus usuários, difundindo novas práticas e hábitos.

O uso de produtos regionais permite a redução de custos, além de significar novas oportunidades para os agricultores das áreas vizinhas. Mas também pode significar uma valorização da cultura local e uma revitalização de hábitos alimentares saudáveis que tenham sido enfraquecidos por conta da penetração da alimentação industrializada ou de hábitos de outras regiões.


ORGANIZAÇÃO

A prefeitura pode também organizar de tal forma o funcionamento do restaurante popular que se priorize a compra de alimentos produzidos no local, especialmente de mercados solidários e de produção agroalimentar familiar, ainda que de outras localidades.

O restaurante pode ser também assumido pela prefeitura como espaço de cursos de cozinheiro, garçom, faxineira, administração de pequenos negócios. Tudo isso de acordo com a dimensão do restaurante instalado.

O restaurante popular pode ser assumido pela prefeitura também como um pólo gerador de emprego e renda. Desde o incentivo à produção local de alimentos, fazendo-se discussões públicas referentes ao cardápio, e licitações públicas para garantir a aquisição pelo menor preço, até a criação de uma cooperativa de trabalhadores que preparem os alimentos, sirvam-nos e garantam a limpeza e manutenção do local, até o incentivo à instalação de pequenos serviços no entorno do restaurante.

Antes de estabelecer um preço, deve-se levar em conta os custos reais de cada refeição e fazer um mapeamento do poder aquisitivo do público que efetivamente freqüentará o restaurante. A prefeitura pode optar por um preço único ou então estabelecer grupos diferenciados que terão acesso a subsídios diferenciados. Também esta decisão deve ser analisada por um conselho que ajude a gerir o restaurante e que tenha a presença de representantes das diferentes parcelas da população que são potenciais freqüentadoras do restaurante.

Pode-se considerar, inclusive, que é interessante cobrar meia refeição de crianças, isentar aposentados e desempregados, etc. Pode-se pensar também a isenção da taxa para os pais de baixa renda que tenham todos os filhos matriculados na escola.


AMBIENTAÇÃO

Ao mesmo tempo, é importante que o espaço do restaurante não fique estigmatizado como o lugar onde se distribui comida aos pobres. Para isso, é preciso garantir formas de servir os alimentos que respeitem a dignidade e as opções de quem vai se alimentar. É necessário criar um ambiente que, apesar de simples, para reduzir custos, ofereça conforto aos usuários. Isto significa investir em mobiliário adequado, decoração do ambiente e instalações que sejam visualmente agradáveis.

Os talheres, louças e outros materiais para servir os alimentos também merecem atenção. É importante, ainda, uma preocupação especial com os trabalhadores do restaurante. O treinamento a eles oferecido deve incorporar noções de higiene, ambientação e atendimento ao público.

Também é importante favorecer o relacionamento entre os usuários. O espaço pode ser concebido de forma a estimular o contato, por exemplo com a utilização de mesas coletivas e atividades coletivas voltados aos usuários.

Na verdade, o restaurante pode ser visto como um espaço multi-uso. Assim, não é somente local onde se tomam refeições, mas espaço de sociabilidade, participação e cidadania.

Pode-se, por exemplo, aproveitar o espaço do restaurante para, realizar atividades culturais. Indo além, ao invés de receber uma programação cultural pronta, pode-se estimular um grupo de usuários a se encarregar de montá-la. Essa dinâmica pode contribuir para que a comunidade se aproprie do espaço, preserve-o e participe de sua gerência.

O espaço também pode ser utilizado para prestações de contas das ações do governo municipal, reuniões de processos de orçamento participativo ou outras formas de contato do cidadão com o governo. Associado ao restaurante, compartilhando o mesmo espaço, outros equipamentos públicos podem ser instalados: quiosques informatizados para acesso à internet, postos de atendimento ao cidadão, espaços multi-uso para realização de campanhas e atividades intensivas (programas de saúde preventiva, cadastramento de desempregados, inscrição em programas sociais, por exemplo).



GÊNERO

Os restaurantes populares, além de favorecerem o enriquecimentos das refeições da população podem contribuir para reduzir a carga que recai sobre as mulheres, especialmente as de baixa renda, no que diz respeito à preparação de alimentos para toda a família.

Na medida em que se oferece refeições em restaurantes populares a preços equivalentes ou inferiores ao custo da alimentação preparada no domicílio, pode-se incentivar a substituição da "marmita" pela realização das refeições no restaurante popular. Para garantir que isto ocorra, é preciso fazer um estudo de quanto as famílias gastam em média com suas refeições e divulgar com bastante ênfase a vantagem econômica de se realizar as refeições fora de domicílio.


Esta divulgação pode chamar a atenção também para o maior tempo que a mulher terá para a convivência com os filhos, com o marido e consigo mesma. Nem sempre são tornadas públicas as estatísticas relativas aos problemas gerados pela dupla jornada de trabalho feminino, agredindo tanto a saúde física da mulher, provocando stress e insônia, quanto a saúde mental, cujos sintomas mais comuns são a depressão e a falta de auto-estima.

Um outro aspecto dessa mesma questão é o fato de que, essa mulher que passa o dia inteiro trabalhando, não dispõe de tempo nem de recursos para elaborar cardápios equilibrados que supram a carência alimentar básica da família.

Como o preparo das refeições é em geral uma questão muito presente no cotidiano das pessoas e diretamente associado às mulheres, esse tema pode ser um ponto de partida para a discussão de outros igualmente ligados às relações de gênero. Pode-se inclusive, a partir de cursos de culinária realizados no restaurante popular abrir espaços de reflexão sobre o papel do homem e da mulher no preparo da refeições, ampliando para discussões referentes aos direitos femininos, desde oportunidades no mercado de trabalho, até formas de superar violência sexual, passando pela maternidade e até pelas questões jurídicas.


EXPERIÊNCIA

O restaurante popular de Belo Horizonte-MG está localizado na região central da cidade e serve cerca de 4 mil refeições por dia. Ligado à Secretaria Municipal de Abastecimento (SMAB), o restaurante adquire por meio de licitação diária os alimentos perecíveis. Já os alimentos não-perecíveis são comprados no preço de safra, com intervalo de um ano, o que garante preço bom e evita o desabastecimento.

Toda a mão-de-obra do restaurante é terceirizada, sendo composta por 54 funcionários, entre um gerente-administrativo, uma nutricionista, dois técnicos de nutrição, seis cozinheiras, 33 auxiliares de cozinha, dois auxiliares de escritório e agentes de supervisão de salão.

O restaurante funciona das 10:30 às 14:30. O custo final da refeição é cerca de R$ 2,52 (incluindo mão-de-obra, energia e os produtos alimentícios), sendo que o usuário paga R$ 1,00 e o município arca com o restante. O tempo médio até que o usuário seja atendido é de 15 minutos.

O cardápio básico do almoço é composto por carne (vermelha ou branca), arroz, feijão e um suco. À noite, das 17:00 às 20:00, é servida sopa com pão.

Aproveita-se o máximo dos alimentos (cascas, talos e sementes) e as sobras das refeições são acondicionadas em compostagem orgânica, pela Companhia de Limpeza Urbana, e transformadas em adubo para hortas. Além de sua atividade principal, no restaurante está instalada uma rádio, que veicula também um clipping diário; a Pastoral da Criança mantém um espaço de venda de café; produtores rurais de hortifrutigranjeiros, selecionados em licitação pública, comercializam seus produtos no local, onde são realizadas oficinas de alimentação alternativa e divulgadas dicas de nutricionistas, com campanhas temáticas, como a Semana do Colesterol, etc.

Entre o público beneficiário do restaurante, 13% ganha até um salário-mínimo, 27% ganha de um a dois salários-mínimos e 23%, de dois a três salários. Dentre os freqüentadores do restaurante, 25% ganha mais de cinco salários mínimos, confirmando que a iniciativa não beneficia somente a parcela da população mais pobre.

Os usuários podem intervir na organização do restaurante por meio da caixa de sugestões ou participando da Associação dos Usuários do Restaurante.



- gerar renda direta com as atividades da agricultura urbana

- acompanhamento tecnico responsavel por orientar e capacitar os grupos para producao agroecologica, comercializasao e gestao compartilhada


  • CEVAE – Capitão Eduardo *

O Centro de Vivência Agroecológico Capitão Eduardo, situado na Rua das Macaúbas, nº 10, no bairro Capitão Eduardo é uma área de 14.000 m², propriedade da Fundação de Parques Municipais de Belo Horizonte. Toda a área faz parte do bioma cerrado, com uma nascente preservada, e está localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) Capitão Eduardo, na parte baixa do ribeirão do Onça, chamada Baixo Onça, em Belo Horizonte. Estima-se que atualmente pouco mais de 1.200 m² vêm sendo utilizado para o cultivo de hortaliças e plantas medicinais por quatorze agricultores/as e suas famílias, que produzem para autoconsumo e comercializam o excedente na comunidade, através de carrinho de mão e encomendas. Cada agricultor possui uma área específica para seus cultivos, que varia de 40 a 450 m².

http://www.rmbh.org.br/sites/default/files/PDDI_50.pdf

http://agriculturaurbana.org.br/RAU/AU23/rau23_g_belohorizonte.pdf

http://agriculturaurbana.org.br/iniciativas/menu01_inciativas_produtivas_MG.html

https://cultivandosaberes.wordpress.com/jardim-produtivo-do-cardoso/